
1. Qual o papel da medicina nuclear na pesquisa de sangramento intestinal?
Respostas elaboradas pelo Dr. Marco Antonio Condé de Oliveira, médico nuclear do Instituto de Medicina Nuclear em Goiânia-GO.
1. Qual o papel da medicina nuclear na pesquisa de sangramento intestinal?
A pesquisa de sangramento intestinal pode ser realizada com a administração de dois radiofármacos distintos: hemácias ou enxofre coloidal, ambos marcados com tecnécio-99m. O primeiro é indicado no estudo do sangramento intermitente e o segundo tem o uso restrito a sangramentos ativos.
A pesquisa de sangramento intestinal é um exame não invasivo que confirma e orienta a localização do sangramento intestinal. O exame é positivo para sangramento intestinal quando se detecta uma área focal de concentração do radiofármaco em projeção abdominal, que muda de localização no decorrer do exame. O método possui sensibilidade superior à arteriografia, possibilitando também uma investigação diagnóstica mais direcionada, tais como colonoscopia ou arteriografia seletiva. A detecção de sangramento na primeira hora de estudo tem valor prognóstico, indicativa de maior necessidade de transfusões e de intervenção cirúrgica precoce.
2. Qual a utilidade da cintilografia de fígado e vias biliares com DISIDA antes e após uma colecistectomia?
Antes da colecistectomia, a cintilografia de vias biliares pode ser utilizada na confirmação da colecistite aguda com sensibilidade e especificidade elevadas (>95%). O padrão cintilográfico desta patologia é a não visibilização da vesícula biliar até 4 horas após a injeção do traçador, devido a obstrução do ducto cístico. Com a administração de morfina o tempo total de estudo pode ser reduzido para uma hora e meia.
Após a colecistectomia, a cintilografia de vias biliares pode ser utilizada na detecção de fístulas biliares (determinando se coleções abdominais possuem origem biliar), na avaliação da perviedade das anastomoses biliodigestivas, obstrução (por cálculo ou estenose) do ducto hepático comum ou disfunção do esfíncter de Oddi.
3. Em que se baseia e quais os resultados encontrados pela cintilografia para pesquisa de divertículo de Meckel?
O Divertículo de Meckel é uma anomalia congênita do trato gastrointestinal secundária a falha no fechamento do ducto onfalomesentérico. A mucosa gástrica ectópica pode ser encontrada em até 30% dos casos e com muito maior freqüência (até 80%) nos casos que evoluem com sangramento. O exame baseia-se na capacidade da mucosa gástrica em concentrar o pertecnetato-99mTc. O achado característico é hipercaptação focal em abdômen, mais comumente em fossa ilíaca direita. A hipercaptação aparece por volta de 5 a 10 minutos após a administração endovenosa do pertecnetato-99mTc e apresenta incremento de captação similar a mucosa gástrica normal.
4. Quais os achados da cintilografia de fígado e vias biliares com DISIDA na atresia de vias biliares e na hepatite neonatal?
A confirmação diagnóstica precoce da atresia de vias biliares é de fundamental importância visto que a correção cirúrgica impede a progressão para insuficiência hepática. Cintilograficamente esta patologia se apresenta como um quadro de obstrução biliar total com captação normal da DISIDA-99mTc pelo fígado, mas com ausência completa de excreção do radiofármaco para as vias biliares e para alças intestinais. A captação e excreção da DISIDA-99mTc em até 24 horas após a administração do traçador excluem o diagnóstico de atresia de vias biliares em recém-nascidos com icterícia neonatal. Caracteristicamente, na hepatite neonatal, há captação e eliminação reduzidas do radiofármaco, devido à disfunção hepatocelular. Nestes casos pode ser realizado preparo prévio com fenobarbital por 5 dias antes do estudo, para estimular as vias metabólicas dos hepatócitos.