
1. Qual a diferença entre a cintilografia renal dinâmica e estática?
2. O que é e qual a importância do teste de washout com furosemide na cintilografia renal dinâmica?
Respostas elaboradas pela Dra. Irene Shimura Endo, médica nuclear do Hospital Samaritano em São Paulo-SP.
1. Qual a diferença entre a cintilografia renal dinâmica e estática?
A cintilografia renal dinâmica é um método que avalia a função glomerular através da observação do acúmulo, passagem e excreção do radiofármaco através das vias urinárias. Estudos funcionais medem o fluxo plasmático renal, taxa de filtração glomerular, tempo de trânsito renal e cinética vesical, podendo auxiliar, por exemplo, no diagnóstico de patologias obstrutivas (através do teste de washout), hipertensão renovascular ou na avaliação de transplante renal.
A cintilografia renal estática avalia a função tubular. Devido à permanência prolongada do traçador no córtex renal, fornece dados principalmente relativos à concentração do mesmo no parênquima renal, morfologia e dimensões renais. Auxilia no diagnóstico de pielonefrites, definição de anomalias (ex. rim em ferradura), localização de rim ectópico, avaliação de trauma e lesões ocupando espaço.
2. O que é e qual a importância do teste de washout com furosemide na cintilografia renal dinâmica?
O teste do "washout" é realizado com a cintilografia renal dinâmica onde durante a aquisição das imagens, é administrado diurético (furosemide) para observação da resposta da excreção do traçador através das vias urinárias.
É um importante teste para diferenciar entre estase fisiológica e processo obstrutivo (no qual a estase é mantida mesmo após a administração do diurético). Útil na avaliação de hidronefrose/ureterohidronefrose, refluxo vesicoureteral, infecções do trato urinário, válvula de uretra posterior, mal-formações congênitas (ex. síndrome de Prune Belly, megaureter, etc), bexiga neurogênica e obstruções do trato urinário (estenose congênita, tumores, litíases, etc.).
3. Qual o padrão cintilográfico da pielonefrite aguda e crônica através da cintilografia renal com DMSA-99mTc?
A cintilografia renal com DMSA-99mTc é o método de imagem com maior sensibilidade para diagnóstico da pielonefrite aguda, que se apresenta como áreas de hipocaptação do traçador que podem ser focais ou difusas pelo parênquima renal. Já na pielonefrite crônica, podemos observar frequentemente além do déficit de captação e redução volumétrica, alterações da morfologia renal com diferentes graus de irregularidade de contornos como sinais indicativos de retração do parênquima (cicatriciais).
4. O que é a cintilografia renal com teste do captopril e qual o padrão cintilográfico da hipertensão renovascular neste exame?
A cintilografia renal dinâmica associada ao teste do captopril pode aumentar a sensibilidade e especificidade no diagnóstico de hipertensão renovacular. Cerca de 60 minutos antes do início da cintilografia é administrado o captopril com monitoração da pressão arterial. Após este período, é feita a aquisição das imagens.
O padrão cintilográfico neste exame é a observação da acentuada deterioração da função renal após o uso do captopril, devido à queda da pressão de filtração glomerular. Portanto, o ideal é que sejam realizados um estudo basal e um com captopril para comparação dos padrões de função.
Critérios associados: mudança na curva do renograma, redução na captação relativa, prolongamento do tempo de trânsito renal e na curva de atividade máxima.
5. Quais as principais vantagens e desvantagens da cistocintilografia em relação à uretrocistografia miccional?
A cistocintilografia pode ser feita de forma direta (através da administração do traçador por sondagem vesical) e indireta (através da realização de um estudo dinâmico com a administração endovenosa do traçador e observação de sua passagem pelas vias urinárias).
As principais vantagens em relação a uretrocistografia são a menor exposição à radiação, possibilidade de realizar estudos quantitativos e avaliação conjunta da função renal quando estudo é feito da forma indireta. Outra vantagem é a maior sensibilidade na detecção de refluxos até a pelve renal observada em estudos comparativos com os mesmos pacientes. A principal desvantagem é a menor definição anatômica do método cintilográfico e a sobreposição de refluxos restritos ao terço distal do ureter com a atividade vesical. Devido à possível implicação de alterações anatômico-estruturais sobre a evolução e eventualmente sobre a terapia instituída nos casos de refluxo, o método radiológico é habitualmente indicado para o diagnóstico inicial do RVU, com a indicação do método cintilográfico no seguimento evolutivo.